• Ana Cláudia Arruda Leite

Temos coragem para amar as novas gerações?

Atualizado: Set 22

''As novas gerações têm o direito de herdar um mundo mais justo e sustentável, permeado por mais afeto, beleza e solidariedade, do que temos construído até então como legado da humanidade.''





Cada criança que nasce é uma oportunidade de transformação. Ela traz o germe do novo e do aprendizado constante, evidenciando algo intrínseco à condição humana: somos sujeitos incompletos, do início ao fim da vida, e nosso processo de educação é permanente. Assim, todos somos em alguma medida aprendizes e educadores, visto que nos constituímos nas relações com os outros, com a cidade, com a natureza, com as instituições.

A educação é, portanto, uma corresponsabilidade do estado, família e sociedade civil. Inclusive é importante lembrar, que crianças e adolescentes são considerados prioridades absolutas no artigo 227 da Constituição Brasileira, o que implicaria em seus direitos e desenvolvimento integral (cognitivo, emocional, físico, espiritual, social) serem sempre garantidos em primeiro lugar.


No Instituto Alana - uma organização de impacto socioambiental que tem como missão “Honrar as crianças” - acreditamos que o modo como cuidamos das crianças revela o modelo de sociedade que temos ou queremos. Cuidar das novas gerações implica em efetivar o artigo 227 e reconhecê-las como sujeitos de direitos, detentoras de linguagens, saberes e culturas próprias, seja no núcleo familiar, na escola, nas instituições socioeducativas, seja no espaço público e na cidade como um todo. Daí a importância da educação atuar de forma intersetorial, junto com a cultura, a assistência social, o meio ambiente, a rede de proteção, a fim de garantir uma educação integral, inclusiva, democrática, antirracista e de qualidade para todos e todas.

E na semana que comemora-se o centenário do educador e filósofo Paulo Freire, considerado um dos pensadores mais notáveis do Brasil e do mundo, precisamos olhar com mais profundidade para a nossa prática e nos perguntarmos: estamos caminhando em que direção? Da democracia ou do autoritarismo? Da educação como prática da liberdade ou da opressão? De um mundo justo para todos ou de privilégios, um mundo só para alguns?

Vivemos tempos difíceis, de grandes mudanças sociais, econômicas, ambientais, políticas, decorrentes da pandemia e, principalmente da crise humanitária atual e de seus desdobramentos futuros. Considerando a emergência de se reverter esses impactos, precisamos reconhecer a favor de qual projeto de educação e de país atuamos, pois como diz Freire, “amar é um ato de coragem” e as novas gerações têm o direito de herdar um mundo mais justo e sustentável, permeado por mais afeto, beleza e solidariedade, do que temos construído até então como legado da humanidade.

(*) Ana Cláudia Arruda Leite é mãe, Mestre em Ciências Sociais da Educação e graduada em Pedagogia. Há mais de 20 anos trabalha na área da educação com foco na infância. É consultora do Instituto Alana na área de educação.

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