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Salvem as baleias, defendam a Amazônia, não realize queimadas. As questões ambientais são muitas, entretanto boa parte de suas temáticas parecem um pouco distantes e até mesmo abstratas para grande parte da população, principalmente se considerarmos o cidadão urbano que vive nas grandes cidades. Mas quando uma pessoa sai de casa pela manhã e transita pela cidade a fim de chegar ao seu trabalho e juntamente com o trânsito reclama do calor, de uma sensação de ar seco e pesado que dificulta até mesmo a respiração, ela certamente está se referindo a um dos impactos ambientais mais presentes e próximos a maior parte da população brasileira: as ilhas de calor!

Chamamos de ilhas de calor o fenômeno climático que ocorre principalmente nas cidades com elevado grau de urbanização, onde a temperatura média costuma ser mais elevada que nas regiões periféricas e rurais próximas. Trata-se de um problema resultante do crescimento desordenado dos meios urbanos, que acaba transformando a atmosfera local, influenciando na qualidade de vida de toda uma comunidade. As ilhas de calor estão diretamente relacionadas a aglomeração de construções e falta de áreas verdes nas cidades, ocasionando a retenção de calor em determinados pontos, originando microclimas urbanos com características muito diferentes das originais encontradas naquela região.

As ilhas de calor podem provocar uma elevação na temperatura local entre 5ºC e 10ºC aproximadamente, afetando a vida de moradores dos centros urbanos assim como da fauna e da flora local. Recentemente muitos estudos têm sido realizados sobre este tema, e sabemos hoje que o município de São Paulo vem apresentando uma variação crescente da temperatura de superfície como resultado do seu crescimento urbano desordenado e impermeabilização do solo, principalmente por revestimento asfáltico. Sabemos também que a presença de grandes zonas industriais também são fatores que devem ser considerados para a formação de ilhas de calor.

Uma maior percepção referente a presença de ilhas de calor ocorre no inverno em cidades de latitudes médias, onde torna-se nítido o aumento das temperaturas médias no período. Fenômeno que também ocorre no verão em cidades de clima tropical, causando grande desconforto térmico, mas que chama menos a atenção da população, uma vez que já se espera que aqueles sejam os dias mais quentes do ano.

Já foi demonstrado que ilhas de calor agravam ondas de calor, com consequências sérias sobre a saúde da população, principalmente idosos e crianças, situação observada e muito bem documentada na  Europa em 2003, quando a população da França foi atingida por uma grande onda de calor e mais de 1500 pessoas morreram, principalmente nas metrópoles, entre os dias 3 e 14 de outubro. Estudos demonstram que as ilhas de calor também estão associadas ao aumento de alguns tipos chuvas (precipitação convectiva) e tempestades nos ambientes urbanos.

Para a resolução dos problemas ocasionados pelas ilhas de calor, a conscientização da população torna-se essencial, associada à preservação das áreas verdes e redução da impermeabilização do solo em áreas urbanas. Passamos por um período onde houve um aumento com a preocupação e a qualidade de vida no ambiente urbano, e novas técnicas estão surgindo, aumentando a possibilidade de mitigação dos problemas decorrente das ilhas de calor. Alguns estudos mais recentes, sugerem inclusive a criação de chamadas zonas de frescor.

Fica cada vez mais evidente a preocupação com a arborização e revegetação de áreas urbanas e sua relação com a melhoria da condição de vida da população. Atividades que vem sendo debatidas e desenvolvidas pelo Lar Sírio vão de encontro às iniciativas de solução e mitigação das ilhas de calor. Nosso Comitê Verde tem promovido a revitalização de praças dentro do espaço do Lar, bem como a manutenção de espaços arborizados na região do Tatuapé. Além disso, a área socioeducacional voltada ao Meio Ambiente trabalha frequentemente com as crianças atendidas ações de conscientização, engajamento e empoderamento da causa ambiental. Entendemos que nossas crianças precisam ser protagonistas na construção de um futuro consciente da importância de cuidar e preservar a natureza, indo além de ideias pouco tangíveis e construindo, no dia a dia, um futuro melhor.