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OS DESAFIOS DA ALFABETIZAÇÃO REMOTA EM TEMPOS DE COVID19 

O processo de alfabetização será sempre um desafio entre pessoas. De um lado uma pessoa e sua personalidade em desenvolvimento. Falo da criança. Do outro mais uma pessoa e sua persona. Falo do adulto. Logo, alfabetizar é momento de conflito. As crianças não percebem a importância da transformação a que estarão submetidas durante um período de suas vidas.  Os educadores do passado falavam que o momento da alfabetização era o estalo de vieira, ou seja, num momento mágico e indeterminado, a criança passa a ler e a escrever. Depois é história, biografia. 

Em tempos de pandemia, a escola invadiu os lares. As famílias se manifestaram, cada uma, a seu modo. Houve quem achasse maravilhoso, quem detestasse, mas, todas estavam muito ansiosas. Há muitos desafios a descrever. A começar pela busca de confiança das famílias que aquelas letras, rabiscos e manifestações que parecem duvidosas, são na verdade gradientes de evolução. O primeiro desafio é tranquilizar as famílias. O segundo é formar pessoas a lidarem com as condições individualizadas e remotas, afinal, já está em curso a comunicação remota. Um dia as crianças nascerão em Marte e a professora estará no planeta Terra. O trabalho remoto veio para ficar, portanto, seremos menos gregários, com menos olho no olho e mais empatia imaginária. O domínio de uso das ferramentas digitais ou computacionais é outro desafio, pois não nos tocaremos como antes, não precisaremos de muito espaço para correr ou brincar. Isso talvez fique a cargo de prestadores de serviços em academias ou espaços de condomínios. Até que se consiga segurança sanitária, esse é o novo normal e devemos alfabetizar para ficar em casa e se comunicar de modo remoto. No campo das emoções, amor e ódio se manifestarão à distância. Um dia a vacina nos libertará.   

Entretanto, não se pode perder o princípio da educação. Todos deverão ter acesso aos processos. Enquanto não temos condições seguras, as plataformas, os trabalhos remotos e as aulas on line com vários recursos da inteligência artificial serão usados no atendimento dos alunos. Este será outro desafio, que é o de reduzir a distância entre aqueles que estão em condição de vulnerabilidade social e os que possuem liberdade social para navegar pela web. O caminho continua aberto aos processos inovadores e as oportunidades surgem na adversidade. O mais importante, neste momento, é o dialogo com debate de ideias porque a educação é uma construção coletiva e social.  

Aníbal José dos Santos Peça 

Coordenador Pedagógico do SESI onde trabalha há 24 anos. Professor Universitário, Coordenador de Curso Superior e Consultor. Graduado em Comunicação Social, Matemática, Ciências, Biologia e Pedagogia. Pós Graduado em Marketing e Didática do Ensino Superior 

ALFABETIZAÇÃO NA PANDEMIA: RESPONSABILIDADES COMPARTILHADAS 

A alfabetização é uma das fases mais importantes no desenvolvimento do ser humano, se inicia ainda na primeira infância. É um processo desafiador, encantador! É nele que a criança se apropria do “SER” participativo da sociedade, sua condição para a cidadania. 

Vai além do ler e escrever. Capacita a criança a compreender, interpretar, criticar, ressignificar e produzir o conhecimento. 

Se pensarmos que vivemos em um mundo letrado, rodeado pela escrita, desde a tenra idade a criança mantém contato com as letras e mesmo intuitivamente sabe que algo está acontecendo e de sua importância. 

Durante o processo as crianças seguem ritmos diferentes e caminhos distintos. As crianças apresentam individualidades e se relacionam diferente com a escrita. 

A pandemia trouxe muitas mudanças na vida e rotina de todos. A educação também muda com o apoio da tecnologia, novas ferramentas e o grande esforço de professores e demais envolvidos. 

A alfabetização sempre foi baseada no contato presencial entre professor e aluno em sala de aula. Agora temos que fazer uso da tecnologia, materiais didáticos, orientações e muito diálogo com as famílias e o próprio aluno. 

Mesmo distante, o professor pode propor e indicar atividades que levem à autonomia e à reflexão do sistema da escrita alfabética. 

A participação dos responsáveis é de extrema importância durante a alfabetização e agora em distanciamento social ainda mais. Neste momento, devemos sugerir atividades de fácil acesso e que façam parte do cotidiano de todos: escrita de bilhetes, confecção de listas (mercado, nomes, animais, brinquedos…), receitas, leitura de embalagens, placas de rua e etc. Assim a criança passa a perceber como a escrita funciona. 

Além de tudo isso, a literatura é o melhor caminho para a alfabetização e isso, com certeza, pode e deve ser feito em casa. Aproximar as crianças das histórias lidas e contadas, manusear os livros e contar histórias a partir de imagens que veem. Sem contar que a leitura aproxima as pessoas que dela participam. 

Devemos nos preocupar também com nosso retorno. Nada será como antes! Professores e alunos estarão com vivências diferentes em relação a aprendizagem. Penso que será um tempo de ESCUTA, onde todos têm o que contar. 

Será necessário trabalhar com uma avaliação diagnóstica para se traçar as diretrizes de um trabalho baseado no que cada um conseguiu desenvolver e crescer. Assim, talvez, conseguiremos dar a devida atenção a toda individualidade e singularidade que se fizer necessária. 

Valquíria de Cássia Maurício Barrero

No Lar Sírio atua como educadora no Gap – Grupo de Apoio Pedagógico. Possui 40 anos de Magistério.
É graduada em pedagogia, psicologia e pós graduada em Educação.