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Ricardo Gandara Crede

Criada por decreto em 27 de maio de 1981, para chamar a atenção à conscientização do meio ambiente em nosso país, a “Semana Nacional do Meio Ambiente” foi desenvolvida como forma de ampliar as atividades destinadas à comemoração do 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, instituído pela Organizações das Nações Unidas (ONU), em dezembro de 1972, durante a conferência de Estocolmo, na Suécia. Mas qual é a real importância destas datas e por que cada vez mais devemos concentrar nossas atenções às questões ambientais no Brasil e no mundo?

Tendo como base a ecologia, podemos dizer que tudo se trata de uma questão de “capacidade de suporte”, ou seja, a capacidade de um determinado ambiente suportar uma espécie e sua população. Neste caso, a espécie é a humana, e o ambiente o próprio Planeta Terra! À medida que a nossa população cresce, em um espaço até então limitado, o nosso planeta, os recursos naturais necessários à nossa sobrevivência e à manutenção de ecossistemas e biomas tornam-se cada vez mais escassos.

Por si só, a escassez de materiais e de recursos afeta diretamente questões financeiras em um grande número de países, gerando uma infinidade de problemas, frutos diretos de um desequilíbrio ambiental causado pela própria sociedade. Anos se passaram após a chamada primeira onda verde, onde militantes ambientalistas eram basicamente motivados por questões emocionais relacionadas à fauna e à flora. Meio ambiente hoje é uma questão estratégica no Brasil e no mundo, deixou de ser um modismo e se tornou uma necessidade na busca de alternativas sustentáveis, novas concepções e mudanças de hábito, visando uma relação mais harmoniosa com o planeta.

Hoje, um cidadão sem o conhecimento básico dos principais conceitos ambientais, certamente, será menos produtivo e competitivo no mercado de trabalho. A ele não bastam informações referentes à diminuição de desastres e degradação ambiental, será necessário um maior entendimento da sociedade e adoção de soluções para resolução dos diversos problemas causados por ela. O meio ambiente deste início de século vinte e um assume um conceito muito mais amplo, tendendo à multidisciplinaridade.

O desenvolvimento da temática ambiental, tornou-se, portanto, imprescindível na formação e capacitação de pessoas, de forma a orientá-las a assumir um posicionamento ambiental responsável, considerando que os bens da Terra são patrimônio da humanidade. Nesse contexto, a educação socioambiental é cada vez mais urgente e importante para uma formação da cidadania. E o trabalho realizado pelo Lar Sírio Pró-Infância é um bom exemplo deste modelo. A visão ambiental trabalhada consiste em uma forma de enxergar a realidade em que se vive no mundo, evidenciando a interdependência de todos os elementos para a manutenção da vida no Planeta. Conceitos e práticas sustentáveis são trabalhadas constantemente junto às crianças e jovens atendidos e aos colaboradores, tais como separação, descarte e coleta do lixo; inter-relação do Homem com outros animais; degradação vegetal e revitalização de espaços verdes; e conservação e uso de recursos naturais: água e energia solar. Projetos como o plantio de árvores nativas iniciado em 2019, rompem os muros da instituição levando hábitos e conceitos a toda comunidade em seu entorno, nesse caso, por meio da distribuição de mudas plantadas pela organização como parte de suas ações socioeducacionais.

O futuro da humanidade depende da conscientização e da ação das pessoas, em especial das crianças e dos adolescentes, na relação de pertencimento do Homem à natureza e na forma como os recursos naturais são utilizados no cotidiano, em que se deve vincular princípios da dignidade humana, de autonomia, de responsabilidade e de equidade socioambiental.

Ricardo Gandara Crede é biólogo e divulgador cientifico, foi responsável técnico por exposições científico culturais como Darwin (MASP 2007) e Revolução Genômica (Ibirapuera 2008). Desde 2009, atua como biólogo na área de manejo e conservação da biodiversidade na Divisão da Fauna Silvestre – SVMA/PMSP.