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Estar longe da sua terra, não a passeio, mas por circunstâncias adversas à sua vontade, sem escolha. E por quanto tempo? Não se sabe.

Qual deve ser esta sensação da pessoa que se encontra em situação de refúgio? Inimaginável! Só mesmo sentindo na pele, no coração e na alma para entender os turbilhões da mente de quem passa por esse desafio.

Sair de casa… sem olhar para trás. Deixar seus pertences, sonhos, memórias. E ir para onde? Sem paradeiro certo.

Estar em refúgio. Entregue ao destino… E na nova terra, buscar entender seu lugar, ressignificar o sentido da vida, sem muitas vezes realmente ter um lugar. E ouvir uma voz no fundo do peito que grita: “Eu não SOU um refugiado… estou em refúgio, irmão”.

Mas o ser humano possui uma característica magnânima de resiliência, e se supera nas condições mais improváveis. Chora sozinho e escondido. E encontra dentro de si forças onde foram plantados desesperança e preconceito. Talvez inspirado por uma Sabedoria Elevada herdada Daquele que nos fez à sua imagem e semelhança. Um Poder Maior impulsionando a vida interior. Vai… segue! Tudo passa.

E foi assim com as famílias fundadoras do Lar Sírio. Vieram de Homs para iniciar uma vida nova. Encontraram, não por sorte e sim por “maktube”, o Brasil. Terra de um povo alegre e acolhedor. E neste encontro, nós brasileiros, fomos retribuídos por esses seres humanos com o coração cheio de valores. Suas virtudes se espelham na obra levantada com o nome de Orphanato Sírio em 1923 para a formação de 5 pequeninos órfãos, e se refletem ainda hoje em cada tijolinho da nossa Instituição e nos olhinhos brilhantes das mais de 1000 crianças gratuitamente atendidas. Portanto, é uma organização que se mostra sólida e enraizada em tamanha sabedoria.

Deve ser por isso que sentimos uma vibração inexplicável em nosso espírito que transborda pelas alamedas do nosso Lar, que se manifesta no coração de qualquer um que entra e pisa ali e, imediatamente, sente a materialização de um Propósito Absoluto de sermos um em Amor.

Para tanto, especialmente nesta semana em que se comemora o Dia mundial do refugiado, queremos honrar, os antepassados que nos inspiram a cada dia do trabalho social no enfrentamento das desigualdades. Levaremos essa missão como nossa, por mais 100, e mais 100, e mais 100 anos. E agradecer a todos aqueles que hoje fazem do nosso país um lugar que integra homens, mulheres e crianças como um povo uníssono e, que resplandece na beleza da diversidade.