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Marina Mograbi Hannun
Coodenadora Socioeducacional

Entre os inúmeros desafios da quarentena, como o isolamento social e o impacto na economia, está a educação. A educação, que luta por ser prioridade neste país, se reinventa para não entrar em colapso. Mas as consequências existem tanto para os estudantes e famílias, quanto para a escola e professores. Enquanto as redes particulares contam com implantação efetiva de plataformas eficientes, famílias com computador e internet em casa, a rede pública enfrenta outra realidade.

É evidente que a tecnologia não é tudo. As famílias privilegiadas também buscam superar as novas regras, como equilibrar home office, trabalho doméstico, tarefa dos filhos, gerenciar o tempo dentro de casa e também alguma questão financeira. Mas não falaremos destes desafios, por ora. O fato é que a pandemia escancarou as desigualdades sociais já existentes em nosso país. O abismo se mostrou novamente e as diferenças se tornaram fraturas expostas.

A classe menos favorecida social e economicamente, além de se preocupar em como colocar comida na mesa, se depara, mais uma vez, sem recursos para a educação à distância. Sinal de internet ou computador pessoal não fazem parte de seu dia a dia.

O corpo docente se esforça. Professores se desdobram, sem preparo para essa realidade. Não houve tempo para formação e planejamento. As escolas e professores, de uma hora para outra, precisaram adaptar toda uma rotina presencial, para a educação à distância. Assim, muitos usam sua própria internet para comunicarem-se com os alunos e responsáveis, e seus filhos adolescentes os apoiam na filmagem e edição de vídeos caseiros. Suas casas transformaram-se em estúdios.

Vale tudo para as crianças não perderem conteúdo! Conteúdo? Pra quem já perdeu a dignidade, perder alguns meses de conteúdo talvez não faça tanta diferença, afinal. Que outras aprendizagens podem ser potencializadas neste período? Como a escola pode minimizar essa defasagem que, sem dúvida, ficará?

As Secretarias da Educação prometem aulas de recuperação e reforço. Sabemos que, na prática, não é tão simples assim. Um equívoco será enturmar as crianças por proficiência, um grande passo para trás. No retorno, em vez de uma avaliação diagnóstica, acolhimento e escuta serão o melhor caminho. A Escola vai precisar ouvir as crianças, propor rodas de conversa. Criatividade e colaboração serão palavras de ordem.

E as famílias? Como lidar com as crianças em casa nesta fase? Algumas sugestões que podem ajudar, dentro do possível. Sabemos também, que nem sempre o ideal é o possível, a realidade do dia a dia impõe outro direcionamento. Mas… se conseguirem, dentro de sua realidade, estas dicas podem ajudar:

– estabeleça com a criança um horário para se dedicar às tarefas da escola e às aulas online. Defina um local para este estudo diário.

– incentive a criança e ler, seja um gibi ou qualquer livro que a família tiver em casa.

– façam jogos: como jogo da velha, stop, memória ou forca, que estimulam o raciocínio e divertem.

– escrevam bilhetes uns para os outros.

– deixe que a criança desenhe bastante, expressar-se por meio dessa linguagem é saudável.

– falem sobre os sentimentos. É natural que as crianças estejam com saudades da escola e dos amigos, de brincar no pátio e de sua rotina. Acolha este sentimento. Todos estão sofrendo nesta fase.

– façam juntos uma receita (se possível a escreva e vá lendo durante o processo).

– implique as crianças nas tarefas do dia a dia, de acordo com a idade: lavar a louça, arrumar a cama, varrer a casa, tirar o pó. Isso traz autonomia e a sensação de que a criança é capaz. Sim, dá trabalho. Às vezes, é mais fácil fazer, sabemos disso. Porém, faz bem pra autoestima da criança conseguir realizar tarefas por si só. Experimente.

– se puderem assistam um filme juntos na TV e conversem sobre os temas abordados no filme.

O mundo não será mais o mesmo, o novo “normal” já se colocou. Cabe a nós sempre a reflexão e o aprendizado diante da crise.