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Sabemos que vivemos em uma condição de insustentabilidade ambiental e social. Em 1 ano, consumimos 60% mais recursos naturais do que o planeta é capaz de regenerar. Sabemos também que não existe vida sem consumo nem consumo sem impacto. Então, será que há uma saída possível?

Há quase 20 anos, nós, do Instituto Akatu, desenvolvemos atividades e ações para sensibilizar cada brasileiro para o consumo consciente. Entendemos que o consumo consciente é um caminho necessário para a construção de um futuro mais sustentável, justamente porque ele não significa deixar de consumir, mas, sim, consumir de um modo diferente, sem excessos nem desperdícios.

Só haverá o suficiente para todos e para sempre se cada um consumir somente o que necessita para o seu bem-estar. Nada mais, nada menos. Ser um consumidor consciente é entender que consumir um produto ou serviço faz parte de um contexto que envolve produção, compra, uso e descarte. É também compreender que todo ato de consumo traz consequências positivas ou negativas para si próprio, o meio ambiente e a sociedade. Uma vez que há esse entendimento (ou essa consciência), fica mais fácil buscar alternativas de consumo com melhor impacto.

Pensar sobre os seus próprios hábitos de consumo é o primeiro passo para trilhar o caminho do consumo consciente. Este processo fica mais fácil com o auxílio das 6 Perguntas do Consumo Consciente, uma espécie de guia do Akatu para colocar em prática o que está por trás das escolhas com melhor impacto: a reflexão antes, durante e depois de se fazer uma compra. Confira:

1. Por que comprar?

Pergunte-se, antes da compra, se você realmente precisa do produto/serviço ou se está sendo estimulado por propagandas ou um impulsos. Pense ainda se em vez de comprar você pode fazer uma troca, reutilizar ou pegar emprestado. Nesse processo, é importante lembrar do que é essencial para a sua vida. Isso muitas vezes significa “ter” algo não material muito mais que algo material, como, por exemplo, experiências com família e amigos.

2. O que comprar?

Para definir qual produto comprar, analise o que cada opção disponível oferece e escolha aquela cujas características realmente atendem às suas necessidades — atributos demais poderão nunca ser usados, o que caracteriza desperdício de materiais e financeiro. Inclua entre os atributos do produto o que você deseja em termos de qualidade, durabilidade e características de segurança durante o uso.

3. Como comprar?

É hora de pensar na forma de pagamento e na logística da compra. Vai pagar à vista ou a prazo? Se for a prazo, conseguirá pagar as prestações em dia? Caso você compre perto de casa, pode ir a pé ou de bicicleta; longe de casa, terá os impactos do transporte de carro, ônibus ou metrô. E como levar as compras? Em sacolas plásticas, ecobags ou caixas de papelão? Essas questões são importantes para diminuir o impacto negativo do ato da compra.

4. De quem comprar?

Ao escolher a empresa fabricante ou marca do produto, busque fontes confiáveis e verifique as características da sua produção: se há cuidado no uso dos recursos naturais, como é o tratamento dos funcionários e se a empresa contribui para o bem-estar da comunidade local. Assim, você pode reconhecer, a partir das suas escolhas, aquelas cujas práticas beneficiam a sociedade e o planeta.

5. Como usar?

Você entendeu que realmente precisa adquirir um produto, escolheu qual comprar e como comprar. Agora, ao levá-lo para casa, deve dar uma vida longa a ele. Tenha cuidado no seu uso, utilize-o até o final de sua vida útil e, caso quebre, tente consertá-lo antes de comprar um novo. Essas práticas são essenciais para evitar a necessidade de troca sucessiva de itens e os impactos associados à sua fabricação, transporte e descarte.

6. Como descartar?

Quando o produto deixa de ter utilidade para você, ele ainda pode ser útil para outra pessoa e para isso o comércio de segunda-mão é uma opção. Em alguns casos, também é possível reformá-lo para dar um novo uso: caixas e embalagens podem se transformar em brinquedos para as crianças, latas servem de vasos e pneus viram balanços. Quando realmente não houver outros usos para o produto, é hora de descartar seus resíduos de maneira correta, encaminhando o que for possível para a reciclagem. É sempre bom lembrar: não existe “jogar fora”, o “fora” é ainda o planeta em que vivemos.

Por Bruna Tiussu, gerente de comunicação do Instituto Akatu