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Por Wellington Sancho

Poucas pessoas sabem, mas a festa junina não surgiu no Brasil. Essa celebração foi difundida com a chegada dos portugueses e a colonização do país. O começo da festa junina no Brasil se deu no século XVI. As festas juninas eram populares em Portugal e na Espanha.

No início, a festa era conhecida como festa joanina, em referência a São João, mas, ao longo dos anos, teve o nome alterado para festa junina, por acontecer no mês de junho.

Porém a celebração, apesar de homenagear três santos católicos: Santo Antônio (no dia 13 de junho), São João Batista (dia 24) e São Pedro (dia 29), tem origem anterior à cristã. Essas festas aconteciam durante o solstício de verão no dia 21 ou 22 de junho – a data que marca o dia mais longo do ano, no hemisfério norte.

Outra curiosidade é que as quadrilhas brasileiras tiveram sua origem na França, chamada de quadrille, é uma dança que se originou nas áreas rurais da Inglaterra e foi adotada pelos franceses no século XVIII. Acredita-se que é por isso que os vestuários das festas juninas remetem ao campo. Desde esta época, surgiram várias formas diferentes de quadrilha: quadrilha Caipira” (São Paulo), “Saruê”, corruptela do termo francês, “soirée”, “noite” (Brasil Central), “Baile Sifilítico” (Bahia), “Mana-Chica” (Rio de Janeiro), “Quadrilha” (Sergipe), entre outras.

Outro fato interessante é que as tribos indígenas também faziam celebrações com comida típica e rituais com canto e dança no mês de junho. Por isso essa festa que recebe nomes distintos como: arraiá, arraial, quermesse, festa junina e as festas julinas que são realizadas no mês de julho.

É importante falar da união que a festa proporciona para as famílias, principalmente no norte e nordeste, onde se concentram as maiores festas juninas, denominadas também de festa de São João. As famílias se juntam para confraternizar, dançar juntos comer comidas típicas, soltar fogos, brincadeiras e fazer fogueiras. Muito milho assado e festa no chão rachado do sertão, é um encontro de gerações, com muita alegria e diversão.

A festa junina tem muitas cores, balões e bandeirinhas. A música que faz todos dançarem no salão é o forró, também conhecido como forrobodó (dança popular de origem nordestina)  com a sanfona,  zabumba e triângulo. Os ritmos se misturam entre xote, baião e xaxado; temos muito arrasta pé, galope, a macha (estilo tradicionalmente adotado em quadrilhas ), o coco e algumas vezes o maracatu, tendo o forró, bastante tocados nessa celebração de São João.

Grandes artistas fizeram a história nesse estilo de música, como: Luiz Gonzaga, Carmélia Alves, Trio nordestino, Dominguinhos, Jackson do pandeiro, Elba Ramalho, Alceu, Zé Ramalho, Flávio José, Adelmário coelho, Alcymar Monteiro, Chiquinha Gonzaga, Zé do baião, dentre outros.

Luiz Gonzaga gravou diversas músicas de muito sucesso, mas apesar da popularidade alcançada, as músicas só foram difundidas pelo Brasil, com a migração nordestina, para outros estados do país. Atualmente, o forró é apreciado em todo o Brasil.

O forró gera renda o ano inteiro, é cultura viva presente no cotidiano das grandes, médias e pequenas cidades de todo o país. Ele é importante para a identidade de uma nação e imprescindível para a educação e a cultura.

Wellington Sancho é músico, produtor e arte-educador. Estudou na UFBA (Universidade Federal da Bahia). Como arte-educador trabalhou em diversos projetos, projeto Guri, Projeto GAAPS. Desde 1999 é instrutor de percussão para crianças no Lar Sírio. Como músico acompanhou diversos artistas da música popular brasileira e mundial, tendo um conhecimento de vários estilos musicais, como produtor musical idealizou o  Historias Musicadas, Percurtindo dentre outros.